domingo, 31 de agosto de 2014

Você já orou de verdade?


Há uma idéia popular de que a oração é uma coisa muito fácil, uma espécie de atividade comum que pode ser feita de qualquer forma, sem nenhum cuidado ou esforço. Alguns pensam que somente é necessário pegar um livro, utilizar certo número de palavras atraen­tes, e assim terá orado, podendo então guardá-lo novamente. Outros supõem que usar um livro é coisa supersticiosa, e aquilo que se deveria fazer é repetir uma série de frases improvisadas, frases essas que viriam à mente de súbito como uma manada de porcos ou uma matilha de cães, e uma vez tendo-as pronunciado com certa atenção, pronto, a oração foi feita.


Ora, nenhum desses modos de orar foi adotado pelos santos do passado. Parece que eles pensaram muito mais seriamente sobre oração do que muitos pensam em nossos dias. Parece ter sido algo impor­tantíssimo para eles - um exercício constantemente praticado, no qual alguns deles atingiram grande eminência e foram, dessa forma, singularmente abençoados. Ceifaram grandes colheitas no campo da oração e descobriram que o propiciatório é uma mina de tesouros inimagináveis.


Os santos do passado tiveram o costume de colocarem em ordem, como Jó, sua causa diante de Deus. Assim como um peticionário não vai a uma corte impulsivamente, sem antes pensar no que vai dizer, mas entra na sala de audiências com seu processo bem preparado, tendo também aprendido como deve se comportar diante da grande autoridade a quem vai apelar, da mesma forma é bom que nos aproximemos do trono do Rei dos reis, tanto quanto possível, com premeditação e preparação, sabendo o que fazemos, qual a nossa posição e o que desejamos obter. Em tempos de perigo e aflição podemos correr para Deus da forma como estamos, assim como a pomba voa para uma fenda na rocha, mesmo que suas penas estejam arrepiadas; mas em tempos normais não deveríamos nos aproximar dEle com espírito despreparado, assim como uma criança não se aproxima do seu pai pela manhã sem antes ter lavado o rosto.


Veja ali o sacerdote; ele tem um sacrifício para oferecer, porém não se apressa para o pátio dos sacerdotes a fim de picar o novilho com o primeiro machado em que puder pôr a mão. Pelo contrário quando se levanta lava seus pés na bacia de bronze, coloca suas vestimentas e se enfeita com seus trajes sacerdotais. Então ele se achega ao altar com sua vítima adequadamente dividida de acordo com a lei. Sendo cuidadoso em fazer de conformidade com o manda­mento, mesmo em coisas simples tais como onde colocar a gordura, o fígado e os rins. Ele põe o sangue numa bacia, derrama-o num lugar apropriado aos pés do altar, não o jogando de forma que mais lhe agrade, e acende o fogo, não com chama comum, e sim com o fogo sagrado retirado do altar. Atualmente todo este ritual foi superado, mas a verdade que ele ensinava permanece a mesma; nossos sacrifícios espirituais devem ser ofe­recidos com santo cuidado. Deus nos livre de que nossa oração seja somente saltar da cama, ajoelhar-nos e dizer qualquer coisa que venha à mente. Pelo contrário, que possamos esperar no Senhor com santo temor e reverência.


Veja como Davi orou quando Deus o abençoou - ele entrou na presença do Senhor. Compreenda isso. Ele não ficou de fora a uma certa distância, porém entrou na presença do Senhor e sentou-se (pois sentar-se não é posição errada para orar, ainda que critiquem contra isso) e uma vez sentado, calma e tranqüilamente diante do Senhor, começou a orar. Todavia, ele não fez isso sem antes pensar na bondade divina. Dessa maneira chegou ao espírito de oração. Daí, pela assistência do Espírito Santo, abriu sua boca. Oxalá buscássemos mais freqüentemente o Senhor desse modo!
Davi se expressa da seguinte forma: "Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã me apre­sentarei a ti, e vigiarei" (Salmo 5:3). Sempre lhes tenho explicado isso como significando pôr em ordem de batalha seus pensamentos tais quais homens de guerra, ou apontar suas orações como se fossem flechas. Davi não apanhava uma flecha para colocá-la na corda do arco e atirá-la em qualquer direção, mas tendo apanhado a flecha escolhida e a colocado na corda, ele se fixava no alvo. Olhava - olhava bem - para o círculo branco do alvo; mantinha seu olho fixo no mesmo, dirigia sua oração, então puxava o arco com toda sua força e deixava a flecha voar. Uma vez em pleno vôo, tendo ela deixado suas mãos, o que diz ele? "Olharei para cima." Olhava para cima a fim de ver aonde a flecha foi e saber que efeito havia causado, pois esperava resposta as suas orações e não era como muitos que raramente pensam em suas orações depois de as haverem profe­rido. Davi sabia que tinha diante de si uma obrigação que requeria toda a sua capacidade mental; ele punha em ordem de batalha suas faculdades e partia para a obra de maneira esmerada, como alguém que cria na mesma e desejava obter sucesso. Deveríamos tanto arar cuida­dosamente como orar cuidadosamente. Quanto melhoro trabalho mais atenção ele merece. Ser diligente na sua loja e negligente no lugar de oração, é nada menos do que blasfêmia, pois é uma insinuação de que qualquer coisa servirá para Deus, enquanto que o mundo deve ter o melhor de nós.


Se alguém me perguntar qual a ordem a ser observada em oração, eu não darei um esquema como muitos têm feito, no qual a adoração, confissão, petição, intercessão e louvor estão arranjados numa sucessão. Não estou convencido de que uma ordem desse tipo tenha autoridade divina. Não é à ordem mecânica que estou me referindo, pois nossas orações serão igual­mente aceitáveis, e talvez igualmente apropriadas, em quaisquer formas, posto que existem, exemplos de orações, de todos os tipos, tanto no Velho como no Novo Testamento.


A verdadeira ordem espiritual da oração parece-me consistir em algo mais do que um mero arranjo. É muito apropriado para nós sentirmos que agora estamos fazendo algo real; sentirmos que estamos nos dirigindo a Deus, a Quem não podemos ver, porém que está realmente presente; a Quem não podemos tocar ou ouvir, nem por meio de nossos sentidos perceber, a Quem, entretanto, está conosco tão realmente como se estivéssemos falando com um amigo de carne e osso. Sentindo a realidade da presença de Deus, nossa mente será conduzida pela graça divina a um estado de humildade; sentir-nos-emos como Abraão quando disse: "Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza". Assim sendo, não faremos nossas orações como garotos que repetem suas lições de forma roti­neira, muito menos falaremos como se fôssemos rabinos instruindo nossos alunos, ou como alguns fazem, com a aspereza de um assaltante parando alguém na estrada e obrigando-o a entregar-lhe sua bolsa; mas seremos humildes suplicantes, embora ousados, humildemente importunando a misericórdia mediante o sangue do Salvador. Não teremos a reserva de um escravo, mas a cândida reverência de uma criança, contudo não uma criança impudente, impertinente, e sim uma criança obediente e dócil, honrando seu Pai, e portanto rogando sinceramente, com respeitosa submissão à vontade de seu Pai. Quando sinto que estou na presença de Deus e tomo o meu devido lugar ali, a próxima coisa que faço é reconhecer que não tenho direito algum àquilo que estou buscando e não posso recebê-lo, exceto como um dom da graça. Devo reconhecer também que Deus limita o canal através do qual me concede misericórdia - Ele o fará por meio do Seu amado Filho. Portanto, quero me colocar sob a proteção do grande Redentor. Quero sentir que agora não sou mais eu que falo, mas Cristo fala comigo e que, enquanto suplico, faço-o através de Suas chagas, Sua vida, Sua morte, Seu sangue e Seu ser. É dessa maneira que realmente alcançamos uma ordem na oração.
O que devo pedir? É muito apropriado que, na oração, objetivemos uma grande clareza nas súplicas. Há muitos motivos para deplorar sobre certas orações feitas em público, pois aqueles que as fazem realmente não pedem nada a Deus. Preciso admitir que eu mesmo tenho orado assim, e certamente tenho escutado muitas orações desse tipo, nas quais tive a impressão que nada foi pedido a Deus. Muito de excelentes assuntos dou­trinários e experimentais foi enunciado, mas bem poucas súplicas e esse pouco de um modo nebuloso, caótico e disforme. Todavia, parece-me que a oração deve ser clara, o pedir por alguma coisa definida e claramente, pois a mente percebe sua necessidade premente de tal coisa, e portanto deve suplicar por ela. Não é bom usar de rodeios na oração, mas ir direto ao assunto. Eu gosto daquela oração de Abraão: "Oxalá viva Ismael diante de ti!" Ele menciona o nome e a pessoa pela qual está orando e a bênção desejada, tudo isso em poucas palavras - "Ismael viva diante de ti!" Muitas pessoas teriam usado uma expressão cheia de rodeios, tal como esta: "Oh que nossa prole possa ser agraciada com o favor que Tu dispensas para aqueles que..." etc. Diga "Ismael", se você quiser dizer "Ismael"; coloque isso em palavras simples diante do Senhor. Algumas pessoas não podem sequer orar pelo pastor sem usar certos adjetivos de tal forma que pensaríamos ser o bedel da paróquia ou alguém que não poderia ser mencionado tão particularmente.


Porque não sermos claros e dizermos o que pen­samos, e pensarmos o que queremos dizer? Ordenar nossa causa nos levaria a uma maior clareza de pensamento. Quando em particular, não é necessário pedir todos os bens possíveis e imagináveis; não é necessário recitar o catálogo de todos os desejos que você tem, teve, pode ter ou terá. Peça o que precisa no momento e, como regra, atenha-se à tua necessidade da hora; peça pelo pão de cada dia - o que deseja no momento - peça isso. Peça-o sem rodeios, diante de Deus, que não repara em tuas expressões rebuscadas, para Quem tua eloqüência e oratória não serão mais do que puro vaidade. Você está diante do Senhor; sejam poucas as tuas palavras, mas seja cheio de fervor teu coração.


Você ainda não terá posto as coisas em ordem quando ti ver pedido o que deseja através de Jesus Cristo. É preciso examinar a bênção que deseja para saber se ela é algo apropriado a ser pedido, pois algumas orações jamais seriam feitas se os homens apenas refletissem. Uma pequena reflexão nos faria ver que seria melhor se certas coisas que desejamos fossem postas de lado. Além disso, podemos terem nosso íntimo um motivo que não vem de Cristo - motivo egoísta - que esquece da glória de Deus e só se preocupa com nosso próprio alívio e conforto. Ora, embora possamos pedir coisas que sejam para nosso proveito, não devemos permitir que nosso proveito interfira, de maneira alguma, com a glória de Deus. Deve haver junto com a oração aceitável o santo sal da submissão à vontade divina. Gosto destas palavras de Lutero: "Senhor, terei aquilo que quero de Ti". "Como você gosta de uma expressão como essa"? -você me pergunta. Gosto por causa do que se segue: "Terei o que desejo, pois sei que a minha vontade é a Tua vontade". Lutero se expressou muito bem, mas sem as últimas palavras teria sido uma ímpia presunção. Quando estamos certos de que aquilo que pedimos é para a glória de Deus, então, se tivermos poder na oração, podemos dizer: "Não te deixarei ir se não me abençoares". É possível chegar a um tal relacionamento íntimo com Deus, e como Jacó com o anjo, podemos lutar e tentar vencer o anjo para não sermos mandados embora vazios, sem recebermos a bênção desejada. Mas antes de chegarmos a essa intimidade, devemos ter a certeza de que aquilo que estamos buscando é realmente para a honra do Mestre.


Ponha estas três coisas juntas: 1) profunda espi­ritualidade que reconhece a oração como sendo conversa real com o Deus invisível - clareza que evidencia realidade na oração, pedindo por aquilo que sabemos necessitar; 2) muito fervor, crendo que é realmente necessário aquilo que desejamos, estando dispostos a obtê-lo pela oração, desde que seja possível tê-lo por meio da mesma; 3) acima de tudo isso, completa submissão, deixando-o ainda com a vontade do Mestre. Tudo isso deve ser amalgamado e então terá uma idéia clara do que é ordenar sua causa diante de Deus.


Ainda mais, a oração em si mesma é uma arte que somente o Espírito Santo pode nos ensinar. Ele é o doador de todas as orações. Rogue pela oração - ore até que consiga orar, ore para ser ajudado a orar e não abandone a oração porque não consegue orar, pois nos momentos em que você acha que não pode orar, é que realmente está fazendo as melhores orações. As vezes quando você não sente nenhum tipo de conforto em suas súplicas e seu coração está quebrantado e abatido, é que realmente está lutando e prevalecendo com o Altíssimo.
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A Palavra de Deus é realmente teu Deleite?


Deleitar-me-ei em teus mandamentos, os quais eu amo.
(Salmo 119.47)

Em companhia da liberdade e da coragem vem o deleite. Quando tivermos cumprido nosso dever, acharemos uma grande recompensa nele. Se Davi não houvera falado por seu Senhor diante dos reis, teria tido medo de meditar na lei que negligenciara; mas depois de falar por seu Senhor ele sentia a suave serenidade de coração, quando pondera sobre a Palavra. Obedeça ao mandamento, e então você o amará; suporte o jugo, e ele será suave e o descanso procederá dele. Depois de falar da lei, o salmista não se cansava de seu tema, mas retirou-se para meditar nele. Depois de discursar, ele se deleitava; depois de pregar, ele recorria a seu estudo para renovar sua força, nutrindo-se uma vez mais da preciosa verdade. Quer deleitasse outros quer não, quando falava, nunca deixava de deleitar-se enquanto ponderava sobre a Palavra do Senhor. Ele declara que amava os mandamentos do Senhor; e através de sua confissão ele revelava a razão de deleitar-se neles — onde nosso amor está, aí está nosso deleite. Davi não se deleitava nas cortes dos reis, pois ali encontrava ocasiões de tentação para envergonhar-se; nas Escrituras, porém, era como estar em casa; seu coração estava nelas, elas eram seu supremo prazer. Não surpreende que falasse de guardar a lei, a qual amava. Disse Jesus:

"Se alguém me ama, guardará minhas palavras." Não surpreende que falasse de andar em liberdade e falar ousadamente, pois o genuíno amor é sempre livre e destemido. O amor é o cumprimento da lei; onde o amor pela lei de Deus reina no coração, a vida se enche de bem-aventuranca. Senhor, que tuas misericórdias nos encontrem, para que possamos amar tua Palavra e teu caminho, e para que encontremos neles todo nosso deleite.

O versículo está no tempo futuro, e daí ele expressa, não só o que Davi fizera, mas o que ele pretendia fazer; ele queria oportunamente deleitar-se nos mandamentos de seu Senhor. Ele sabia que eles não podem ser alterados, nem deixar de produzir nele alegria. Ele sabia também que a graça o guardaria na mesma condição de seu coração amar os preceitos do Senhor, de modo que, ao longo de toda sua vida, desfrutaria de supremo deleite na santidade. Seu coração estava tão fixo no amor para com a vontade de Deus, que tinha certeza de que a graça sempre o sustentaria sob sua deleitosa influência.

Todo o Salmo é uma constante expressão de amor pela Palavra; aqui, porém, pela primeira vez, ele é verbalmente expresso. Ele aqui se acha associado ao deleite; e no versículo 165, à "grande paz". Todos os versículos em que o amor se expressa em tantas palavras são dignos de nota. Veja os versículos 47, 97, 113, 119, 127, 140, 159, 163, 167.

Levantarei minhas mãos para teus mandamentos, que amo, e meditarei em teus estatutos. (V.48)

Levantarei minhas mãos para teus mandamentos, que amo.

Ele estende os braços para a perfeição até onde pode, esperando um dia poder alcançá-la. Quando suas mãos penderem, ele recuperar-se-á do langor pela visão prospectiva de glorificar a Deus através da obediência; e dará solene sinal de seu cordial assentimento e consentimento quanto a tudo o que seu Deus ordena. A frase, "levantarei minhas mãos", é muito significativa, e sem dúvida o terno cantor tinha em mente tudo quanto podia ver nela e mais uma grande medida. Uma vez mais ele declara seu amor; pois um coração sincero ama para expressar-se; é um gênero de fogo que espalharia suas chamas. Era natural que ele tivesse a seu alcance uma lei na qual se deleitava, como se fosse uma criança que estende sua mão para receber um presente muito desejável. Quando um objeto tão amável, como a santidade, é posto diante de nós, somos impulsionados em direção a ele empenhando toda nossa natureza, e enquanto não for plenamente concretizado, no mínimo estenderemos nossas mãos em oração para recebê-lo. Aonde mãos santas e corações santos vão, o homem todo, um dia, também irá.

E meditarei em teus estatutos. É possível que nunca tenha meditação bastante. Os súditos zelosos desejam familiarizar-se com os estatutos de seus soberanos para não ofendê-los em decorrên¬cia da ignorância. Oração com mãos erguidas, e meditação com olhos direcionados para o alto, numa ditosa união, produzirão os melhores resultados interiores. A oração do versículo 41 já se cumpriu na pessoa que luta olhando para cima e estuda visando às profundezas de seu coração. A totalidade deste versículo está no tempo futuro, e pode ser vista não só como uma determinação da mente de Davi, mas como um resultado que ele sabia se seguiria de enviar-lhe o Senhor suas misericórdias e sua salvação. Quando a misericórdia desce até nós, nossas mãos se erguem; quando desfrutamos a consciência de que Deus pensa em nós com um amor especial, nos asseguramos de pensar também nele.
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domingo, 24 de agosto de 2014

Deus jamais muda seus planos !


Aquele homem começou a construir, mas não foi capaz de terminar e então mudou de plano como qualquer homem sábio faria nesse caso; ele construiu num alicerce menor e come­çou novamente. Contudo, teria dito sobre Deus que Ele começou a construir e não pôde terminar? Não. Quando Ele tinha recursos ilimitados ao Seu comando, quando Sua própria destra pôde criar os mundos tão numerosos quanto as gotas de orvalho matutino, teria sido necessário .para Ele Se deter a fim de recobrar forças? Inverteria, ou alteraria, ou modificaria Seu plano porque não poderia levá-lo a cabo? "Mas", dizem alguns, "talvez Deus nunca tivesse um plano". Então, o senhor pensa que Deus é mais tolo que você? Você trabalharia sem um plano? "Não", diria você, "eu sempre tenho um esquema". Deus também tem.

Qualquer homem tem seus planos e Deus tem um plano também. Deus é um Arquiteto todo-sábio ; Ele organizou tudo em Seu imenso intelecto bem antes de realizá-lo; e tendo estabelecido de uma vez por todas, tenha certeza, Ele nunca alterará isso. "Isso será feito", diz Ele, e a mão forte do destino marca isso e o faz cumprir. "Este é o Meu propósito" e isto posto, nem terra ou inferno podem alterá-lo. "Este é o Meu decreto", diz Ele, promulgue-o anjos; sejam expulsos das portas do céu os demônios, mas vocês não podem alterar o decreto; ele será cumprido.

Deus não alterou Seus planos; por que faria isso? Ele é todo-poderoso e por conseguinte pode executar tudo, segundo o Seu prazer. Por que faria isso? Ele é o onisciente, e, dessa forma, não poderia ter planejado erra­damente. Por que faria isso? Ele é o Deus sempiterno e, sendo assim, não pode morrer antes que Seu plano seja realizado. Por que Ele deveria mudar? Vocês, átomos desprezíveis de existência, efêmeros do dia! Rastejantes insetos nesse jardim da existência! Vocês podem mudar seus planos, porém Ele nunca muda, nunca muda o Seu plano. Ele teria dito que Seu plano é me salvar? Se for assim, estou seguro.


Meu nome está nas palmas das Suas mãos,
A eternidade não apagará;
Impresso permanece em Seu coração,
Em marcas de indelével graça.
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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O DESÂNIMO NA LUTA CONTRA O PECADO!


William Bridge, um pastor Puritano do século XVII, escreveu uma obra com o propósito de encorajar quem está sob desânimo e depressão.  Nesta obra ele fala, em um dos capítulos, sobre o desânimo na luta contra o pecado.

Uma das razões que ele dá para não ficar desanimado nesta luta contra o pecado, é que o próprio desânimo é um pecado contra o evangelho. A pessoa pergunta: “Eu não deveria estar desanimado e ser desencorajado por causa de tal pecado?” – Bridge responde: “Não, pois o desânimo em si é um pecado, um outro pecado adicionado, um pecado contra o evangelho”. O grande problema com o desânimo aqui, é que ele duvida do poder do evangelho. O desânimo aqui evidencia que se acredita que o poder do pecado é maior do que o poder do evangelho. Poder não só para perdoar e purificar, como também de livrar da tirania do pecado, vivendo uma vida vitoriosa sobre ele, de obediência aprazível a Deus.

Para um homem de fato regenerado, que está em Cristo, que tem uma nova natureza que ama a Deus e sua Palavra, que anseia por uma vida de obediência e santidade... há muitos encorajamentos. Firmado nos quais, o homem regenerado luta e combate contra a carne, satanás, o mundo...

A) Você nunca será condenado por seu pecado, porque Cristo foi condenado por você.

Uma vez que Cristo foi feito pecado por seus eleitos, seus santos... Bridge argumenta: “...o pecado não lhes fará dano aqui” – Ele cita Lutero que escreveu: “Cristo foi feito pecado... foi condenado... pagou... pagou por mim” – Isso lança fora o desânimo e nos prepara para uma luta vitoriosa na vida de obediência e sujeição a Deus.

B) Você nunca será abandonado por Deus se está em Cristo, ainda que perca a percepção da presença de Deus por causa do pecado.

“Seu pecado”, diz Bridge, “mas nunca colocar Deus contra você. A aliança de misericórdia de Deus com o seu povo é inalterável. Você vai ser disciplinado por causa do pecado ( se um homem é deixado em seu pecado sem disciplina, não é filho, pois não há filho que Deus não discipline), mas nunca vai experimentar a ira de Deus por causa dele. O conforto da percepção da presença pode ser perdida, mas o privilégio ( de um homem regenerado) permanece. O que leva a verdadeiro arrependimento e contínuo prosseguimento para o ‘alvo da soberana vocação’”

C) Sua capacidade (poder) para pecar, não é tão forte quanto o poder de Deus para perdoar, purificar e santificar. Bridge pegunta: “É os seu pecado tão grande como Deus, tão grande como Cristo? Jesus é apenas mediador de pequenos pecados? Você é capaz de derrubar a satisfação proporcionada pelo sangue de Cristo ou a misericórdia de Deus? Davi pecou grandemente, confessou sincera e profundamente, sofreu disciplina... mas seus grandes pecados foram perdoados... o seus também serão”.

D) Todos os mandamentos que teu pecado quebrou (homem regenerado) tem promessas ligadas a eles.

Bridge afirma: “Deus uniu mandamento e promessa, a promessa e o mandamento nascem gêmeos. Nunca há um mandamento que não tenha uma promessa anexada. Uma promessa de ajuda, da capacitação, de aceitação e recompensa. Se você olhar para o mandamento sem a promessa (aos Seus filhos), então você vai entrar em desespero. Mas se você olhar para a promessa sem o mandamento, você irá presumir e tratar o pecado da forma como uma homem em inimizade com Deus trata e não como um filho que o ama e em tudo deseja honrá-lo. Mas se você olhar para o mandamento e promessa junto, você certamente será humilhado, mas jamais desencorajado.

E) Você deve ser humilhado por seus pecado, mas não pressionados ao desânimo, porque Deus é um Pai que perdoa.

Bridge prossegue: “Deus não está satisfeito com o sofrimento e a dor, Deus não está satisfeito com a tristeza pela tristeza... O objetivo deles é a cada dia vermos o amargor do pecado, para nos levar a viver uma vida que em tudo honre Cristo, para nos afastar dos falsos prazeres da criatura perdida, para revelar a maldade em nossos corações...”

Ou seja, a diferença entre a humildade sobre o pecado e a depressão sobre o pecado, é a diferença entre uma visão centrada em Deus e uma visão centrada no homem.

Uma visão antropocêntrica do pecado traz poderoso desencorajamento,  porque é focado numa condição própria de capacitação humana e na busca de algo feito pelo próprio poder do homem que o faça aceitável diante de Deus.
Por outro lado, a visão do pecado que é centrada em Deus, estão voltadas para a visão de que o pecado rouba a glória de Deus... tem Deus como o centro... Desde que o pecado é contra Deus e que esse Deus se revelou para nós como um Deus perdoador, o pecado é completamente humilhante para  o coração regenerado, mas não traz o desânimo fruto do coração orgulhoso e que se sentia capaz em si mesmo.

O desânimo só vê Deus como juiz, enquanto a humildade e humilhação verdadeira vê Deus como justo Juiz e Pai amoroso. Humildade e desânimo, então, tem uma relação inversa.

William Bridge afirma: “...quanto mais você está desanimado, menos humilhado você está, e quanto mais humilhado você está, menos desanimado estará.” Por isso na busca de uma vida que cresce em santidade, está a busca da verdadeira humildade, que flui da contínua busca de conhecer mais e mais a Deus.

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domingo, 10 de agosto de 2014

MARCAS DE HONRA OU DE AUTO-PIEDADE?


O que temos chamado de feridos de guerra na igreja hoje são feridos de guerra? Nós vivemos numa cultura de vitimização por causa da psicologização secular da vida, o que torna muito fácil nós escorregarmos para a auto-piedade. “Feridos de guerra” é uma expressão que se tornou comum na igreja de nossos dias, mas confunde mais do que explica. Que“guerra” seria essa? A guerra pela glória de Deus? A guerra contra o Pecado? A guerra pela Verdade? O bom combate da Fé?

O apóstolo Paulo em seus grandes sofrimentos por causa da glória de Deus, do valor infinito de Cristo... preso, espancado, abandonado, apedrejado, martirizado... Essa é um ferido de guerra! Somos chamados a isso: “Sofre pois comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo” – 2 Timóteo 2.3.

Este é uma homem cheio de cicatrizes de batalha: “em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez. Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas.” - 2 Coríntios 11:23-28 – Pregar a verdade, amar a Cristo, desejar ardentemente Cristo todos os dias lhe custou tudo: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” -  Filipenses 3:8 – Essas são cicatrizes que jamais levam avitimização e a auto-piedade. Não levam a amargura, não levam a inutilidade para Deus, não levam ao cinismo para com o chamado de ser parte do corpo de Cristo.

São as marcas que o soldado traz em sua carne. São marcas de honra e não de auto-piedade: “Desde agora ninguém me inquiete, porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” – Gálatas 6.17. Ferimentos de guerra. Eles não fazem o homem mais fraco, vitimizado, sentindo pena de si mesmo. Ele fortalece o coração para a peleja. Ele não paralisa o homem, não os ferimentos das guerras do Senhor: “Não que já tenha alcançado... mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Jesus Cristo” – Filipenses 3.12 – Ferido de guerra! Preso por Cristo! Eis a força inabalável que os verdadeiros feridos nas guerras do Senhor experimentam.

Grande parte da dor experimentada pelo apóstolo Paulo veio de dentro da igreja: “em perigos dos gentios... em perigos entre os falsos irmãos... Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas.” -2 Coríntios 11:23-28 – Em Corinto disseram que sua presença era desprezível. Muitos se alegravam com suas cadeias. Ele diz que alguns pregavam com a intenção de aumentar seus sofrimentos enquanto ele estava na cadeia: “Sua presença de corpo é fraca, e a palavra desprezível” – 2 Coríntios 10.10 – Os super-apóstolos o atacaram em Corinto, na igreja dos gálatas e em muitas outras igrejas. Ferimentos de guerra são esses. Eles não geram vitimização, auto-piedade tão comuns em nossa sociedade... Eles deixam o soldado forte para a batalha. Acusaram Paulo por causa de suas enfermidades? A resposta dele não era auto-piedade, mas “de boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” – Acusavam Paulo por suas cadeias? A resposta dele não era vitimização, auto-piedade, autocomiseração... Era: “Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor a Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte”– 2 Coríntios 9.10.

Essa é a guerra! A guerra pela Verdade, pela glória de Deus... é o bom combate que levou esse soldado ao martírio: “Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.” - 2 Timóteo 4:6-7 – Ele chama de o Bom Combate... não há auto-piedade, vitimização... Tudo isso trazia alegria: “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho; De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares; E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor. Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa vontade; Uns, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões. Mas outros, por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho. Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento ou em verdade, nisto me regozijo, e me regozijarei ainda.” -Filipenses 1:12-18

Agora, Paulo nunca chamou o pecado de feridas de guerra. Eis o nosso grande problema hoje. O adultério de Davi, por exemplo, não faz dele um ferido de guerra – isso é rebelião contra Deus e não ferida de estar lutando pela glória de Deus. Isso é ter lutado contra a glória de Deus.

Pecado e suas consequências não são ferimentos de guerra pela glória de Deus, pela Verdade de Deus... Pecado não pode ser ferimento de guerra contra o pecado. A última coisa que precisamos ao pecar e um senso de vitimização, de auto-piedade... O que Davi precisava era de um profundoarrependimento, tristeza, contrição... sem auto-justificações, sem auto-piedade... sem exigir que sentissem pena dele... ele precisava daconfrontação de Natã. Ele não podia agir e exigir tratamento de ferido de guerra pela verdade, pela glória de Deus... pois foi exatamente a glória de Deus que foi atingida, exposta e desprezada por seu pecado. O nome de Deus não foi santificado em sua vida.

Davi não tentou escapar da verdade acusando Natã de falta de amor, de não saber cuidar dos feridos de guerra... Natã disse: “Porque, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que é desprezível diante de Seus olhos?” – 2 Samuel 12.9. Não, Davi aqui não é um ferido da guerra que fomos chamados para lutar, guerra pela glória de Deus. O que ele precisa não é de vitimização, auto-piedade... ele precisa de arrependimento, precisa ver quão vil foi sua atitude – e foi o que ele fez!

Natã disse: “Tu é este homem Davi!... Agora... porque tu fizeste em oculto, mas eu farei este negócio perante todo o Israel e perente o sol” – (v. 7,12).A resposta de Davi não é de auto-piedade, não é de um homem que acha que não está sendo tratado como um ferido de guerra, a resposta é: “Pequei contra o Senhor!” (v. 13).

Sem vitimização Davi é um exemplo de verdadeiro arrependimento. Ele sabe que desonrou o Nome de Deus, não há razão para sentir pena de si mesmo, nem exigir nada. Então ele ora: “Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias. Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado. Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe. Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria. Purifica-me com hissope, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve. Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste. Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto. Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo. Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.” -Salmos 51:1-12 – Ele não era um ferido de guerra aqui, ele tinha sido um rebelde contra Deus, ele tinha jogado no time do inimigo! Do reconhecimento disso brota esse grande hino de arrependimento, e ele aceita as consequências em sua casa de sua rebelião.

Se Davi se visse como um “ferido de guerra” – e sentisse auto-piedade por causa de seu pecado, ele não teria entendido nada. Pecado é rebelião e não ferimento de guerra pela glória de Deus no mundo.

Agora lembre-se, mesmo os ferimentos de guerra, como os que Paulo sofreu de dentro da própria igreja, não produziram em Paulo auto-piedade, amargura, revolta, inutilidade... pelo contrário. Produziram amadurecimento, gozo... porque eram cicatrizes que mostravam o valor infinito da Verdade, o valor infinito de Cristo. Agora em nossos dias, exatamente o pecado – que devia gerar arrependimento, tristeza, contrição, mudança, mortificação... tem gerado cobrança aos outros e auto-piedade no coração. Sem arrependimento verdadeiro cobramos, cobramos... e colocamos a culpa em ou nos “Natãs”.

Lembre-se que mesmo quando você é ferido (dentro ou fora da igreja – como Paulo) por causa da Verdade e da Glória de Deus, se esse ferimento, se esse sofrimento se tornar amargura, cinismo, auto-piedade, revolta, justificativa para a inutilidade... o ferimento gangrenou, virou pecado – arrependa-se!

O combate é contra o pecado e pela Glória de Deus, pela Verdade, pelo valor infinito de Cristo. E nesse combate, devemos ir até o sangue: “Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado” – Hebreus 12.4.

Os verdadeiros feridos nas guerras do Senhor são renovados a cada dia: “Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” - 2 Coríntios 4:16-18 – e chegam gloriosamente ao fim do combate: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” - 2 Timóteo 4:7-8

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sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A ÊNFASE ERRADA NA “BUSCA” DO ESPÍRITO!


Muitas pessoas dizem precisar do Espírito, buscar o Espírito... mas por motivos completamente errados. Por que precisamos tanto do Espírito?

Porque sabemos muito pouco de Cristo ainda. Precisamos do Consolador abençoado para nos revelar mais da glória de sua pessoa, a beleza de seu caráter, a adequação de seu trabalho, o amor de seu coração, o mérito de seu sangue, a liberdade da sua graça, a profundidade de sua compaixão, a ternura de sua simpatia, a dignidade de sua obediência, a perfeição de seus sofrimentos, e a natureza inesgotável de Sua divina  plenitude.

Essa é a razão da necessidade do "Enchei-vos do Espírito!", a saber, Cristo, Cristo, Cristo!!! Não se trata de nós, de experiências, de misticismo, de uma busca ególatra...

Isso é fundamental ser recuperado, Jesus se apresenta a nós como o Esposo de nossas almas. Ele diz: "Eu me casarei com você para sempre...” Ele nos promete levar para a união mais próxima possível. Ele torna-se um conosco. 

Ele diz: "Eu vou ser a sua porção, e você será minha posse"
Essa é a razão do Espírito ser enviado,
Ele envia o Seu Espírito - para nos preparar,
O Espírito manifesta as Suas belezas - para nos atrair,
Ele faz o Seu evangelho doce - para nós fascinar,
O Espírito usa o Seu poder e nos atrai - e então opera em nós uma aliança eterna.

Ele nos faz ver quão doce Cristo é para nós como nossa herança eterna, nos faz sentir o poder das palavras:  "Minha querida, minha pomba, minha irmã... minha alegria, minha esposa!" (Cântico dos Cânticos 5:2)

O Espírito nos faz ver como Ele nos dá. . .
  Sua pessoa,
  Suas riquezas insondáveis, e
  uma parte de Suas glórias e honrarias eternas!

O Espírito opera em nós e mostra em nossos corações de forma que somos constrangidos pelo amor de Jesus...
Ele nos garante. . .

  que Ele nunca vai nos deixar,
  que Ele virá e comungará conosco,
  e que Ele não negará bem algum que coopere para nosso bem eterno!

Ele diz: "Ainda que os montes se abalem e os outeiros sejam removidos - ainda assim Meu amor infalível por você não será abalado, nem a minha aliança de paz não mudará - diz o Senhor, que tem compaixão de você!" "Nenhuma arma forjada contra ti prosperará, pois seu Criador é o seu marido! O Senhor Todo-Poderoso é o seu nome"

"Como um noivo se alegra sua noiva -! Também o seu Deus se alegra em ti! " O amor está aqui! Não o busque em outro lugar! Essa é a obra do Espírito, esse é o poder do amor que nos leva a santificação. Essa é a verdade que nos faz amar seus mandamentos e não achá-los pesados: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.” 1 João 5:3

A santidade é um peso para muitos que dizem crer, porque nunca foram levados a se deliciar em Cristo, Sua pessoa, Sua obra... Eis a razão e necessidade de sermos cheios do Espírito.

Na verdade, quando a ênfase na busca do Espírito não é centralizado em Cristo, não se está buscando de fato o Espírito, mas uma "energia" para usá-la para os fins humanos ególatras.

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